Startup B2G aplica método alemão que beneficia neurodivergentes em escolas públicas de seis estados, com mais de 23 mil alunos alfabetizados e 1,2 mil professores treinados. Meta é dobrar de tamanho em 2026.

Especializada em neuroeducação, a IntraAct Brasil adota uma metodologia para alfabetizar com rapidez crianças dos primeiro anos, incluindo algumas com necessidades especiais. O sistema foi criado e aperfeiçoado na Alemanha ao longo de três décadas e aplica ciência cognitiva e monitoramento de dados. As resultados foram avaliados no Instituto Leibniz de Neurobiologia, em Magdeburgo, e no Instituto Max Planck de Ciências Humanas Cognitivas e do Cérebro, em Leipzig. Simplificando, se trata de ensinar a mente a aprender desde o início da vida escolar. Pode ser uma das soluções, já que no Brasil 40% das crianças não estão devidamente alfabetizadas ao fim do 2º ano do fundamental.

De acordo com a startup, 80% de seus alunos se tornam capazes de ler entre quatro e cinco meses. Em média, 80% das turmas chegam ao final do ano com todos lendo e escrevendo com desenvoltura para a idade. Os resultados são alentadores. A taxa de alfabetização no Ensino Fundamental I (2º ano) no Brasil é bem inferior, com 59,2%, em 2024. Ainda assim, uma sensível melhora perante o pico da pandemia, em 2021, quando o isolamento social fez a média despencar para preocupantes 36%. A meta do Ministério da Educação (MEC) para 2025 é atingir 60%.

Necessidades especiais

Moyses Gori: aprendizado mensurável, escalável e cientificamente validado

Aplicado inicialmente a crianças portadoras de autismo e dislexia, o método se vale de professores com formação híbrida para lidar com os alunos com necessidades e dificuldades pontuais de aprendizado. O material didático é próprio e o desenvolvimento individual, monitorado com algoritmos de progressão. O desempenho em sala é comparado a indicadores, como taxa de alfabetização e o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que mede a qualidade da educação combinando a taxa de aprovação com as médias das avaliações de português e matemática do MEC. A programação segue a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento normativo para instituições públicas e privadas.

De acordo com a empresa, mais de 23 mil estudantes de 20 municípios passaram pelo programa desde 2020. Em 2024, atuaram em seis estados (SC, MG, PR, MA, GO e MT), com 1,2 mil professores atendendo 14 mil alunos de escolas públicas — número que pode dobrar até 2026. “O IntraAct é um case de tecnologia aplicada à educação básica. Nosso foco é transformar o aprendizado em algo mensurável, escalável e cientificamente validado”, afirma o CEO Moysés Gori.

A edtech opera no modelo business to government (B2G), com contratos anuais firmados via inexigibilidade de licitação e auditoria independente. Os valores não foram divulgados, mas tudo parece promissor. Sem investimento externo até agora, a startup usa capital próprio e prepara uma expansão para estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

O avanço acompanha o movimento crescente de adoção de soluções educacionais baseadas em evidências científicas, especialmente nas redes públicas, onde é urgente a busca por práticas de alfabetização mais eficientes, de baixo custo e que acompanhem a evolução tecnológica da vida cotidiana. A neuroeducação foca em conexões neurais, personalização e consciência fonológica, que dá prioridade às letras e sons (fonemas) para ativar o hemisfério esquerdo do cérebro, que é especializado em leitura

O cérebro

Ninguém está inventando a roda, mas para entender a proposta é preciso assimilar algum conhecimento. Decodificar letras, símbolos e significados transformou o cérebro humano, apregoa Maryanne Wolf, cientista cognitiva da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. “Nós pensamos na linguagem como algo natural, e deduzimos que a língua escrita é algo natural também. Mas não é nem um pouco”, afirma a autora de “O Cérebro Leitor”, lançado no Brasil.

Para a pesquisadora Tracey Tokuhama-Espinosa, neurocientista e pedagoga da Harvard University Extension School, há uma ampla gama de fatores que precisam ser considerados sobre o cérebro de uma criança (e que valem para todos).

Memória + Atenção
  • Cada cérebro possui sua organização própria;
  • É um órgão complexo, dinâmico e está em constante modificação;
  • Seu desenvolvimento segue durante toda a vida;
  • O aprendizado é baseado na habilidade captar e interpretar experiências boas ou ruins, por meio de uma autorreflexão;
  • Aprender envolve a habilidade de interpretar padrões;
  • E também a capacidade de criar;
  • A mente pode ser potencializada por desafios, bem como inibido por ameaças;
  • O cérebro passa por mais momentos de flutuações do que de atenção;
  • Aprender diz respeito tanto a atenção focada quanto a periférica;
  • É um órgão social que se desenvolve conforme a pessoa interage com o mundo e com a autorreflexão;
  • O processo de aprendizado envolve consciente e inconsciente;
  • Existem diferentes sistemas de memória: de curto e longo prazo, de trabalho, de viés emocional, de hábitos, etc;
  • A matemática da leitura e da escrita pode ser definida como: Memória + Atenção = Aprendizado

Fonte: https://www.moneyreport.com.br/negocios/intraact-faz-cerebro-pensar-para-alfabetizar-em-5-meses/ 

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